quinta-feira, março 16, 2006

O banqueiro do povo

Para mim, confesso, Artur Santos Silva sempre foi uma espécie de herói romântico do mundo empresarial: a sua consistência intelectual e moral, os seus valores, o seu humanismo, tudo sempre tão transparentemente exposto nas entrevistas que de vez em quando dá... tudo isto sempre me fez olhar para ele como uma figura diferente dentro do meio empresarial português. A frase que o banqueiro social-democrata proferiu ontem na reunião de quadros do BPI comentando a OPA não-hostil (?!?!?!?!) do BCP é só a cereja no topo do bolo:

«... o banqueiro histórico do BPI, Artur Santos Silva, terminou uma reunião de quadros de topo do banco recorrendo a uma frase da revolucionária espanhola La Pasionaria: "Não passarão!"»

8 Comments:

Blogger TTF said...

Acho que eles a consideraram Hostil...

1:37 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

bem, se a História lhe der a mesma razão que à Passionaria, ao banqueiro romântico não lhe restará muito mais que o romantismo.

1:43 da tarde  
Blogger JTF said...

O BPI considerou-a hostil, mas o BCP apresentou-a como não-hostil. Disseram até que só é uma OPA porque não existe uma figura regulamentar de Oferta Pública de Fusão... enfim...

Já quanto à História, car@ anónim@... um herói romântico é sempre um herói romântico, quer vença, quer morra tentando! :)

2:28 da tarde  
Blogger Delfim said...

pois ... pois ... mas se calhar os stakeholders do BPI preferem um bom gestor a um herói romântico...

8:32 da tarde  
Blogger JTF said...

Não me vais dizer que o Santos Silva e o Ulrich são maus gestores, pois não?! Aliás, se vires a notícia, eles estão com ele...

10:45 da tarde  
Blogger Delfim said...

Ulrich em Julho do ano passado alienou a participação que o BPI detinha na PT, segundo ele, numa estratégia pura de stop loss. Vendeu as acções a 7,75€. Ontem elas fecharam a 10,15€!

A Santos Silva é mais difícil apontar defeitos, seja como banqueiro ou humanista.
(Valeu-me teres misturado Fernando Ulrich no comentário! :) )

3:46 da tarde  
Blogger JTF said...

Realmente... olha que incompetente... não adivinhou que no ano seguinte o terceiro operador ia lançar uma OPA sobre o «monopolista» e vendeu a sua participação financeira...

4:58 da tarde  
Blogger Delfim said...

Antes da OPA as acções já estavam acima dos 7,75€.

Eu tb tinha acções da PT e não as vendi. E não tenho casas de research a trabalhar para mim, nem sou adivinho. E a única regra de bolsa que conheço é essa do let profits run, stop losses.

Qd Fernando Ulrich diz que aliena acções da PT explicitamente para fazer stop loss está a dar um sinal claro ao mercado: acredita que as acções vão desvalorizar a curto prazo. A PT é maior empresa nacional cotada em bolsa, não é propriamente a mercearia da esquina. E fê-lo não por razões estratégicas, de parcerias, de melhor perspectiva de retorno noutro investimento, ou outras ... mas explicitamente por uma questão de stop loss!?!...

8:17 da tarde  

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