segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Comungar cívico

Eram 13h35. Fui votar.
Quer queira, quer não, sempre sinto uma ligeira comoção na altura em que entro na sala, um indivíduo diz o meu nome, outros dois confirmam os dados…Toda aquela panóplia de procedimentos e jargões provoca em mim a noção de estar a praticar um acto solene. Gosto que assim seja.
Vou até ao posto de voto. Leio bem. Procuro fazer uma cruz perfeitinha. Levo tudo muito a sério.
Ao sair da escola primária onde sempre tenho de me dirigir nestes dias, sinto sempre uma espécie de dever cumprido. Consciência tranquila. Um comungar cívico. Saio em paz e com a clara noção que aquilo é importante para mim. É um momento meu.
Pode parecer excessivo, mas é real. Sempre que voto, sinto um nervoso miudinho, porque ainda hoje acredito que o meu voto é importante.
Não entendo tanta abstenção num tema como este. Estou cansado de ouvir toda a gente a queixar-se porque os políticos só falam de coisas que não nos interessam, só tratam de temas que a União Europeia entende como importantes, deixando para trás as reais e concretas questões do dia-a-dia, as que nos afectam, blá blá blá e o diabo a sete mais a coisa que as pariu.
56% de abstenção acrescido do que sabemos do anterior referendo sobre este tema…é coisa que não entendo.
Não querem votar? Não votem. Estão no seu direito... Mas parem de se queixar todos os dias! Chega da conversa de merda de que os políticos só pensam não sei em quê e que a vida está difícil e sem condições. Numa altura em que podemos expressar directamente a nossa opinião sobre um assunto, olhamos para o lado e nem à praia vamos, já que o sol ontem adormeceu.
Não querem votar? Não votem. Fiquem com a merda que têm e deixem levar-se pela vidinha que não vos permite querer dizer alguma coisa na sociedade onde vivem.

Bom proveito. Afinal…nem é nada convosco…

4 Comments:

Anonymous Ana van den Toorn said...

Estou plenamente de acordo contigo!!
É tipico, queixam-se mas quando têm oportunidade de fazer valer as suas ideias,preferem ficar me casa ou ir fazer outras coisa. Sabes é que assim sempre podem continuar a refilar e a queixarem-se.
Mas não desanimes, não é só em Portugal que isso acontece...
Beijo grande
Tia querida

12:06 da tarde  
Anonymous Ana said...

É engraçado que sinto exactamente isso que descreves em relação ao voto. Sinto-me sempre bem quando saio de lá. Lembro-me que me senti mesmo importante na primeira vez que tive de votar e desde então não falhei uma!
Quando o momento já passou fico sempre imenso tempo a lembrar-me e a pensar se não me enganei com a cruz... e no momento propriamente dito, tenho muito cuidadinho e leio 30 vezes o boletim...não me vá dar uma dislexia qualquer...
Concordo. É um disparate que metade da população votante não tenha consciência da importância deste momento. É uma vergonha mesmo.
Para além de ser um direito que conquistámos e não assim há tanto tempo...é um dever.
Como sempre, gostei de te ler.

2:34 da tarde  
Blogger Delfim said...

de qq forma já vai sendo tempo de implementarmos o voto electrónico. fazemos transacções bancárias na web, no wap, por sms, até já pagamos impostos na web ... e para votar ainda temos que ir até à escolinha da junta de freguesia de recenseamento colocar a cruz no papelete?!...

6:03 da tarde  
Blogger ttf said...

Meu amigo Delfim...há uns tempos que eu não aparecia por aqui! É sempre um prazer reler-te!

Deixa-me que te diga que acho muito bem que inventem uma maneira segura e eficaz de eu poder votar pela Net ou até por MB!!! Mas enquanto tiver de me deslocar à pitoresca escolinha primária, é ali que vou cumprir o meu dever cívico!!! E todos devíamos fazer o mesmo, respeitando o toque que nos faz sair do recreio e dirigir à urna! (coisa que, imagino, não é grande questão para nós...que votamos MESMO!)

Um abraço!

PS: E já agora, beijinho à tia e à AmigAna!

10:06 da tarde  

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