terça-feira, dezembro 27, 2005

Massagens também?

É isto que eu não percebo na direita.

Querem promover uma sociedade contruída na individualidade e afiançam o mercado como a melhor forma de lá chegar.

Mas passar da política do subsídio ao pobrezinho injustiçado pela sociedade à política do 'vamos antecipar com paninhos quentes as necessidades das empresas estrangeiras em Portugal, baixar as cuequinhas e aquecê-los para eles não fugirem para a China' não é simplesmente deslocalizar o problema?


Cavaco dixit, [comentários meus]:

"Há uma coisa que pode ser feita em Portugal, que eu sei que já foi feita noutros países [portanto não corremos risco algum porque no fundo não é uma ideia original]. Podia existir um responsável do Governo [mais um tacho a atravancar o já sobrelotado estado] que fizesse a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal e, de vez em quando, fosse falar com cada uma delas [com orçamento próprio para almoçaradas?] para tentar indagar sobre problemas com que se deparam e para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações [isto é a parte de baixar as cuequinhas]".

7 Comments:

Blogger TTF said...

Tem, quanto a mim, paralelo com a história da legalização dos imigrantes...é que com o Obikwelu e com o Eusébio ninguém se rala, agora com o desgraçado que ganha 75€/mês, trabalhando 14h/dia...oh pá...ESSE QUE VÁ PARA A TERRA DELE QUE AQUI, NÃO TARDA NADA, ANDA A ROUBAR!! (bem entendido que, por mim, podem cá ficar todos...eles e nós...se é que esta dicotomia tem de existir).
Na verdade, as regras de mercado só são para defender até à altura em que começamos a levar com elas em cima...aí...oh tio!!! oh tio!!!!ooohhh tiiiioooooooo!!! oh tio? tio? buááááááááááá!!!!! olha os chineses...buáááááá´...tio?

4:29 da tarde  
Blogger Delfim said...

ttf explique lá então como é que um país da nossa dimensão poderia acolher condignamente 80 milhões de nigerianos+100milhões de paquistaneses+...

7:27 da tarde  
Anonymous Cotta Arribas said...

Delfim tiene razón

7:32 da tarde  
Blogger TTF said...

Expliquem-me lá vocês, onde é que há 80 milhões de nigerianos e 100 milhões de paquistaneses prontos para virem para Portugal...

Ou então, respondam-me simplesmente como poderíamos nós acolher 180 milhões de portugueses.

E já agora, dêem-me os números referentes a todos os portugueses que ao longo dos anos 60 e 70 (acho que estas 2 décadas chegam...) emigraram para França, Canadá, EUA, Alemanha...como é possível, num país de emigrantes como foi o nosso durante tanto tempo, que não se encare a questão da emigração com um pouco mais de tolerância...?

Além disso, mesmo através de experiências profissionais que tive, posso garantir que os processos de legalização são totalmente absurdos, facto que permite verficar-se situações como as que já tive conhecimento, de pessoas a trabalhar 13/14 horas/dia, e a ganhar €50/mes.

Outra: um brasileiro que estava cá, um português que queria dar-lhe emprego.
Porém, como queria fazer as coisas bem feitas, procurou inscrevê-lo na Seg. Social, blá, blá, blá...para o fazer, ele tinha de ter um visto. Mas para ter um visto, tinha de ter contrato de trabalho...mas para ter contrato de trabalho, tinha de ter outro documento...and so on, ando so on...Conclusão: a solução passava por ir outra vez ao Brasil, buscar um documento. E não podia ser através da embaixada! O empregador estava disposto a ajudá-lo e, na altura, até estava a pensar pagar-lhe a viagem...mas quantos estariam na posição de fazer o mesmo? Sim...porque para um brasileiro, viajar para a Europa, não é fácil...e repetir a viagem então...
Todo este processo porque o acordo luso-brasileiro celebrado já na altura do Lula, já tinha terminado o seu período de aplicação...
Fará sentido pensar que à distância, alguém que vem trabalhar para um supermercado ou para a construçao civil, chegue a Portugal já com um contrato de trabalho?
Como é evidente, um quadro superior que venha para cá, já sabe ao que vem...já negociou, inclusivamente, as condições...agora, o comum dos mortais?
E quando até têm contrato de trabalho, chegam e afinal...burla...redes disto e daquilo...que se faz? é mandá-los para a terra deles, pois claro!!!

E mais...se estiverem legalizados, não têm só direitos...têm obrigações também...nomeadamente fiscais. E, na qualidade de contribuintes, terão direito às prestações sociais, mas estarão também adstritos às obrigações que qualquer trabalhador tem perante a sociedade, tal como garantir as reformas de hoje, através das suas próprias contribuições.
É que estar legalizado, não implica só direitos...também há deveres a cumprir...por que é que nunca ninguém fala nisto? Parece que ao legalizá-los estamos a dar-lhe uma regalia...não! Estamos tratá-los como se trata qualquer pessoa. E é assim que deve ser!

Bom...Delfim e Cotta Arribas, espero que não levem a mal o tom um pouco mais duro...mas, de facto, há questões às quais sou mais sensível...mesmo porque tenho familiares emigrantes e sei que só saíram daqui para procurar melhores oportunidades. Por que é que não conseguimos ver os que cá estão da mesma maneira?

9:07 da manhã  
Blogger Delfim said...

caro ttf, não só o tom não é duro como estamos quase inteiramente de acordo.

Uma coisa é a imigração, outra é a legalização dos imigrantes que de facto cá trabalham. E outra ainda é a burocracia que nos sufoca, seja ela relativa à imigração ou qualquer outro assunto do nosso quotidiano.
O exemplo apontado é ainda assim apenas uma gota no oceano, muito mais e piores existirão. Quanto a ele, estamos em perfeita sintonia: temos que combater esta burocracia serôdia.

Agora isso não tem nada que ver com a questão da imigração em si. Aqui sim, divergimos: o caro ttf acha que devemos abrir as portas de par em par e deixar entrar quem quiser, e eu acho que não temos capacidade para tal e que temos que ter regras. E isto não significa que não apoie a imigração. Apoio! Mas mais que isso, apoio a imigração e defendo a qualidade de vida dos imigrantes, o que me parece impossível de fazer de portas escancaradas.
E agora vai o ttf desculpar-me o meu tom duro, mas não posso aceitar que defenda um sistema anárquico para a imigração no nosso país que depois leve para a miséria os imigrantes e suas famílias. Não posso aceitar que defenda a imigração mas não as pessoas, os imigrantes. E peço-lhe desculpa porque eu além de ter familiares e amigos emigrantes, também os tenho imigrantes. E tenho um profundo respeito e ao mesmo tempo orgulho pela história multicultural da comunidade a que pertenço.
Por isso lhe lanço um apelo, não se limite a defender os casos de injustiça que existem na imigração, vá mais longe e defenda um sistema que não os crie. E se possível ajude a criar condições para expandir um modelo social justo como é o europeu, que permita criar noutros países condições que evitem a necessidade de as pessoas emigrarem a todo o custo. Porque não se iluda, os 80 milhões de nigerianos dispostos a emigrar para a europa estão na Nigéria: só lá ficavam os governantes déspotas que queimam os recusrsos do petróleo!
abr e votos de continuação de boa prosa.

11:25 da manhã  
Blogger Khibli said...

mas estás a tratá-lo por você porquê??! :S

O ttf é O TTF, little brother do JTF! :)

11:52 da manhã  
Blogger Delfim said...

erro de paralaxe, k.! estava a responder ao personagem blogosférico ttf sem dar conta que era o TTF.

12:44 da tarde  

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