domingo, setembro 04, 2005

Poemas

Há bons poemas, maus poemas, poemas que eu não entendo, poemas que refletem aquilo que foi, aquilo que nunca foi e aquilo gostariamos de ser.

E depois há este:



A Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel.
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.

António Gedeão

3 Comments:

Blogger ttf said...

É verdade sim senhor...por isso é que eu, chegadinho de fresco do Perú, estou em condições de te garantir que esse mesmo poema foi entoado pelas ruas de várias cidades daqule estrondoso país!

Coincidências...

2:30 da manhã  
Blogger Delfim said...

Andaste pela festa do avante?...

11:25 da manhã  
Blogger LN said...

Não, comprei um livro baratinho.

;-)

6:21 da tarde  

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